quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UMA BREVE HISTÓRIA DA DIDÁTICA

A história da didática está obviamente ligada ao aparecimento do ensino, no decorrer da sociedade, da produção e das ciências como atividade planejada e intencional dedicada à instrução.
            Desde os primeiros tempos existem indícios de formas elementares de instrução e aprendizagem. Sabemos, por exemplo, que nas comunidades primitivas os jovens passam por um ritual de iniciação para ingressarem nas atividades do mundo adulto. Pode-se considerar esta uma forma de ação pedagógica, embora aí não esteja presente o didático como forma estruturada de ensino.
            Na chamada antiguidade clássica e no período medieval também se desenvolve forma de ação pedagógica, em escolas, mosteiros, igrejas, universidades. Entretanto, até meados do século 17 não podemos falar de didática como teoria do ensino, que sistematize o pensamento didático e o estudo científico das formas de ensinar.
            O termo didática vai aparecer a partir do momento em que os adultos começam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do ensino, ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes. Estabelecendo-se uma intenção propriamente pedagógica na atividade de ensino, a escola se torna uma instituição, o processo de ensino passa a ser sistematizado conforme níveis, tendo em vista a adequação às possibilidades das crianças, às idades e ritmo de assimilação dos estudos.
            A teoria didática para investigar as ligações entre ensino e aprendizagem e suas leis, é formada a partir do século 17, quando João Amós Comênio, um pastor protestante, escreve a primeira obra clássica sobre didática, a Didática Magna. Ele foi o primeiro educador a formular a ideia da difusão dos conhecimentos a todos e criar princípios e regras do ensino.
            Comênio desenvolveu ideias avançadas para a prática educativa nas escolas, numa época me que surgiam novidades no campo da filosofia e das ciências e grandes transformações nas técnicas de produção, em contraposição às ideias conservadoras da nobreza e do clero. O sistema de produção capitalista, ainda incipiente, já influenciava a organização da vida social, política e cultural.
            Para Comênio, a finalidade da educação é conduzir à felicidade eterna com Deus, pois é uma força poderosa de regeneração da vida humana. O insigne educador do século 17, dizia que todos os homens merecem a sabedoria, a moralidade e a religião, porque todos, ao realizarem sua própria natureza, realizam os desígnios de Deus. Para ele, a educação nada mais é do que um direito natural de todos.
            Com suas ideias inovadoras, Comênio desempenhou uma influência considerável, não somente porque se empenhou em desenvolver métodos de instrução mais rápidos e eficientes, mas também porque desejava que todas as pessoas pudessem usufruir dos benefícios do conhecimento.
           O ideal de toda didática é que o ensino produza uma transformação no aprendiz, que este, graças ao aprendido, se torne diferente, melhor, mais capaz, mais sábio, afinal esta é a vontade do Criador.

Um abraço.




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